Vários feridos após serem esfaqueados em um ataque na cidade francesa de Annecy
A tranquila e pitoresca cidade de Annecy, localizada aos pés
dos Alpes franceses, foi palco de um ataque implacável nesta quinta-feira.
Antes das dez horas da manhã, sob o sol de Le Pâquier, um amplo parque com um
lago e prados na cidade, um homem invadiu uma área de recreação portando uma
faca, atacando quatro crianças com idades entre 22 meses e três anos, um homem
de 78 anos e outro adulto. Dois das crianças e o idoso estão em estado crítico.
Vídeo do momento da agressão.
O agressor, um indivíduo de 31 anos natural da Síria e pai
de uma criança de três anos, foi detido quatro minutos depois. Esse tempo foi
suficiente para semear o pânico no parque. As autoridades descartam que se
trate de um ato de terrorismo e foi iniciada uma investigação por tentativa de
assassinato. "Até o momento, não existem indícios que sugiram uma
motivação terrorista", afirmou a promotora de Annecy, Lisa Bonet-Mathis,
em uma coletiva de imprensa próxima ao local do ataque.
Annecy é uma cidade alpina com uma população de 120.000
habitantes, sendo a capital do departamento de Alta Saboia e um local turístico
tranquilo. O incidente chocou toda a França, especialmente devido à idade das
vítimas. Entre elas, estão uma criança de dois anos e sua prima de três anos,
uma menina britânica de dois anos e um bebê de 22 meses de nacionalidade
holandesa.
A promotora informou que as quatro crianças estão em estado
crítico e sua saúde é extremamente frágil, assim como a vítima mais idosa. O
outro adulto sofreu ferimentos menos graves causados pela faca, bem como por
uma arma de fogo usada por um dos policiais ao tentar deter o agressor. Uma
investigação está em andamento, como é habitual em casos em que um policial usa
sua arma.
O ataque ocorreu pouco depois das nove e meia da manhã,
quando várias crianças com cerca de três anos estavam em uma área de balanços
neste parque idílico, cercado por prados e um lago. Nas redes sociais, circula
um vídeo gravado por uma testemunha, no qual é possível ver o agressor com um
lenço na cabeça e uma faca na mão, se aproximando da área de recreação enquanto
busca suas vítimas. No vídeo, pode-se observar um homem com uma mochila o
perseguindo e tentando detê-lo.
"Este ato foi absolutamente covarde", declarou o
presidente francês, Emmanuel Macron, em um comunicado no Twitter. "O país
está em estado de choque". Tanto Darmanin quanto a primeira-ministra,
Elisabeth Borne, se deslocaram para a área. Darmanin afirmou que este é o
"dia mais triste" na França desde que assumiu o cargo de Ministro do
Interior. "Estou há três anos como Ministro do Interior e testemunhei
muitas situações difíceis, mas acredito que este seja o pior dia para os
franceses. Atacar crianças é indescritível", declarou em uma entrevista à
TF1.
Borne classificou o ataque como um "ato odioso e
inaceitável" que deixou o país chocado e elogiou a rápida intervenção dos
policiais que prenderam o autor, assim como os serviços de emergência.
Quanto ao agressor, sabe-se que ele tem 31 anos, é de
nacionalidade síria e havia morado na Suécia nos últimos dez anos, onde obteve
o status de refugiado. Ele possuía documentos e não estava em situação
irregular. Alguns testemunhas afirmam tê-lo visto em Annecy, embora ele não
tivesse uma residência fixa na cidade. Ele não tinha antecedentes criminais e
não havia sido diagnosticado com problemas mentais.
Ele havia solicitado asilo na França, bem como na Itália e
na Suíça, apesar de ter o status de refugiado na Suécia, conforme confirmado
por Darmanin. Por esse motivo, seu pedido foi negado na França e ele foi
notificado há quatro dias. No formulário de solicitação, ele se identificou
como "cristão sírio". Ele era casado com uma cidadã sueca, da qual se
separou há alguns meses, e tinha um filho de três anos, mesma idade das
crianças que ele atacou. Ao ser preso, ele estava com uma cruz e imagens de
Jesus Cristo.
Toda a classe política condenou o ataque. No momento do
incidente, os deputados estavam debatendo na Assembleia Nacional uma proposta
para revogar a impopular reforma da previdência impulsionada por Macron. Em
meio a um acalorado debate, a sessão foi interrompida para um minuto de
silêncio e o ataque foi condenado como um "ato extremamente grave",
segundo a presidente da Assembleia, Yaël Braun-Pivet.
Os partidos políticos rapidamente começaram a disputar sobre
o assunto. A oposição acusou a maioria macronista de aproveitar o drama para
evitar o debate sobre a reforma. Borne pediu que não se faça uso político do ataque.
Jordan Bardella, líder do Agrupamento Nacional, partido de Marine Pen, afirmou
que após esse trágico incidente, é necessário questionar toda a política de
imigração do país. "Mais uma vez, o espaço Schengen demonstrou sua
incapacidade de nos proteger", declarou o deputado do mesmo partido,
Julien Odoul.
A lei de imigração do governo, considerada muito permissiva
pela extrema direita e restritiva pela esquerda, deveria ter sido debatida na
Assembleia Nacional nas próximas semanas, mas foi adiada para o outono devido à
falta de apoio parlamentar. A motivação por trás do ataque ainda é
desconhecida.
Há apenas duas semanas, uma enfermeira morreu e outra ficou
ferida em outro ataque com faca em um hospital em Reims. O agressor, que foi
preso, sofria de problemas mentais. Quatro meses atrás, uma professora foi
esfaqueada por um aluno com problemas enquanto lecionava em uma escola em San
Juan de Luz, no sul do país. Um mês antes desse incidente, ocorreu outro ataque
com faca na estação de trem Gare du Nord, a mais movimentada da Europa, onde
seis pessoas ficaram feridas.
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