Após a divulgação de um vídeo que mostrava soldados
mexicanos supostamente realizando uma execução extrajudicial contra civis no
estado de Tamaulipas, o presidente Andrés Manuel López Obrador declarou na
quarta-feira que as autoridades estão investigando o possível "assassinato
ilegal".
López Obrador afirmou durante sua coletiva matinal:
"Medidas estão sendo tomadas. Parece que ocorreu um assassinato ilegal e
isso não pode ser permitido". Além disso, ele acrescentou: "Quando
ocorre abuso, excesso, violação dos direitos humanos, os responsáveis devem ser
punidos".
O jornal El País divulgou um vídeo que supostamente foi
gravado em 18 de maio na cidade de Nuevo Laredo, na fronteira com Laredo, Texas
(EUA). No vídeo, pode-se ver uma caminhonete preta colidindo contra um muro e,
em seguida, sendo cercada por um veículo do exército mexicano e um grupo de
soldados armados.
Nas imagens, é possível ver os soldados retirando armas do
veículo, agredindo os civis que estavam dentro e os colocando contra o muro. Em
seguida, os soldados são atacados a tiros de longe, sem que os agressores sejam
vistos. Enquanto isso, os soldados disparam contra os civis e depois modificam
a cena do crime colocando armas ao lado dos corpos.
De acordo com a versão fornecida pelo tenente de infantaria
José Luis 'N', consultado pelo referido veículo de comunicação, os civis teriam
tentado recuperar suas armas e receberam apoio à distância de alguns criminosos
cúmplices. Supostamente, após repelir o ataque, os soldados perceberam que
quatro civis haviam sido mortos e outro estava em estado crítico.
A investigação está em andamento. Do Palácio Nacional da
Cidade do México, López Obrador informou que o processo de aprofundamento da
investigação foi iniciado e adiantou que em breve todos os responsáveis pela
execução extrajudicial seriam entregues às autoridades.
Segundo o presidente, a Secretaria de Defesa Nacional
(Sedena) está "recomendando que se atue pelo suposto fato de execução
extrajudicial". Além disso, López Obrador mencionou que a
Procuradoria-Geral da República (FGR) também interviria.
O presidente afirmou: "Não há encobrimento. Não
toleramos a violação dos direitos humanos".
Até o momento de 2023, foram registradas duas execuções
extrajudiciais cometidas por militares em Nuevo Laredo. Em 28 de fevereiro
passado, soldados dispararam contra uma caminhonete pick-up com sete pessoas a
bordo, resultando na morte de cinco delas.
Embora inicialmente tenha sido divulgada a versão de que se
tratava de um confronto, um relatório da Comissão Nacional dos Direitos Humanos
(CNDH) concluiu que os militares usaram "excessivamente a força por meio
do uso ilegítimo de armas de fogo".
Quatro soldados, identificados como Bernardo 'N', Agustín
'N', Jorge Nicolás 'N' e Juan Carlos 'N', estão em prisão preventiva pelos
crimes de homicídio qualificado e homicídio qualificado na forma tentada.
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