Ucrânia ataca surpresa em território russo
O grupo Liberdade para a Rússia, que combate pelas forças da
Ucrânia, reivindica a autoria dos ataques. Kiev nega qualquer envolvimento
neste incidente.
A cidade de Belgorod, fronteiriça com a Ucrânia, foi vítima
de um novo ataque nesta guerra travada entre Kiev e Moscou. A população,
pertencente à região de mesmo nome, é alvo frequente de ataques por parte do
lado ucraniano, pois em várias ocasiões têm sido registradas diversas
ofensivas. Neste caso, é a legião Liberdade para a Rússia a unidade que
'assina' a autoria do ataque.
Segundo explicou o governador de Belgorod, Vyacheslav
Gladkov, "um grupo de sabotagem e reconhecimento das Forças Armadas da
Ucrânia entrou no território do distrito de Grayvoron". Nas últimas horas,
circularam nas redes sociais imagens de vários tanques cruzando a fronteira
russa. Conforme refletem os veículos oficiais russos, várias unidades
ucranianas teriam bombardeado este distrito desde a madrugada.
Através do Telegram, foi publicado um vídeo sobre a suposta
"entrada de tanques ucranianos na área do posto de controle de
Grayvoron". No entanto, da região de Belgorod, apenas informaram sobre o
bombardeio em Grayvoron. Embora não tenham ocorrido vítimas fatais entre os
civis, algumas casas foram danificadas devido a esses ataques.
Uma unidade russa lutando contra o Kremlin
Os supostos autores deste ataque, Liberdade para a Rússia,
lutam pelas Forças Armadas da Ucrânia. É composta, supostamente, por
voluntários russos. Esta unidade, juntamente com o Corpo de Voluntários Russos,
"libertou Kozinka, na região de Belgorod". Além disso, confirma que
"destacamentos avançados entraram em Grayvoron". O grupo, através de
uma mensagem, reivindicou o ataque. "Fique em casa, não resista e não
tenha medo: não somos seus inimigos. Ao contrário dos zumbis de Putin, não
tocamos nos civis e não os usamos para nossos próprios fins. A liberdade está
próxima!".
Resposta do Kremlin e de Kiev
Desde Moscou, não demorou para que uma resposta oficial
fosse dada ao ataque perpetrado por este grupo de opositores ao governo de
Vladimir Putin. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, assegurou que o objetivo
desse tipo de ataque é "desviar a atenção" do que está acontecendo em
Bajmut, com o intuito de "minimizar o efeito político" da perda da
cidade. Recentemente, o Grupo Wagner havia anunciado a tomada da cidade.
De acordo com Peskov, Vladimir Putin foi informado sobre a
"tentativa de avanço" na região de Belgorod. "Estamos trabalhando
agora para retirá-los do território russo e destruí-los. Temos forças e meios
suficiententes para isso", acrescenta o porta-voz russo. Nas últimas
horas, também têm sido divulgadas imagens de filas de carros deixando a região.
Segundo relatos de moradores locais, helicópteros e veículos blindados chegaram
à área para apoiar os guardas de fronteira. "Estamos indo de porta em
porta. A maioria da população deixou a área afetada e estamos ajudando aqueles
que não têm meios de transporte", afirma Gladkov.
Por sua vez, a Ucrânia nega categoricamente qualquer
envolvimento neste ataque, atribuindo toda a autoria aos grupos de oposição
formados por cidadãos russos. "A Ucrânia está observando os eventos na
região russa de Belgorod com interesse e estudando a situação, mas não tem nada
a ver com isso", assegura o assessor da Presidência, Mikhail Podoliak.
Sobre a presença de supostos tanques ucranianos, ele afirma que eles são
vendidos "em qualquer loja militar".